quinta-feira, 10 de novembro de 2016

(Texto originalmente publicado em 15 de Agosto de 2013)

"Sagrada Escrita"
A escrita é o meu confessionário
O papel, fiel missionário
Clérigo ateu, escuta acrítico
Guia-me religiosamente as palavras
Onde prego esperança e fé
Em cruzes de descrença e desconfiança

O papel concubina-me as palavras
Engravida-as de frases p
aridoras
Dando luz ao divino da prosa
Abortando poesias de intenção e planos

As ideias que as alimentam
Muitas vezes bastardas
São legítimas donas de nada,
Mas aspirantes à pertença de tudo
Putativas letras sem pecado
Falsas santas senhoras
Beatas de véu fumado
Meretrizes de racha decotada

São tudo e o todo, até o nada
Meu universo sem paralelo
Profana dimensão sem espaço
Mas tão repleta de sagrado tempo
Onde só eu sei se me confesso
Ou finjo e mostro o avesso

Ali rezo, e rezam as minhas palavras
No prezado papel vigário
Narrador de contos de desengano
Padre Pai apaziguador
Amante companheiro calmo revoltoso
Meu herói em felicidade e dor
Deus que vai erigindo minha Igreja
Onde acho abrigo de mim mesmo

Na guarita que acolhe a minha escrita

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