domingo, 8 de janeiro de 2012

"Nunca Me Distas Amor"

Os suspiros deixados pelos que sempre se amaram intensamente
Mesclaram-se no frio ansiando demora de locomotiva a vapor
As palavras que soltaram e as que reservaram em sua mente
Criaram uma estação de vida em que cada paragem é, sempre será, o amor
O relógio ia avançando sugando em cada salto o momento tão presente
Adivinhando chegada do monstro de carris que prometia trazer dor
Como se não os querendo ver embarcados, o aleatório situou-os pela frente
No oposto da cauda do monstro que, já parado, ansiava em sua barriga o doce sabor
Dos suspiros do tanto amor que invadiu os que na estação até já nem se sabiam gente
Correram em destino de manjar, mas iam soltos como se suspensos no vapor
As pernas avançavam por necessidade urgente, mas os corações recusaram seguir em frente
O monstro sentiu-se saciado pela entrada forçada de um suspiro que levava sublime amor
Enquanto o outro suspiro espreitava pelos olhos da besta esperando seu par ver ansiosamente
Os olhos dos suspiros olharam-se de frente separados por nada, pois nada o saberá fazer, e deixaram a dor
Na barriga do monstro que, julgado plenamente saciado, transportava agora freneticamente
As palavras pouco antes suspiradas, de pleno amor, que nele deixaram até o enorme temor
De avançar com o peso de tal carga que para os suspirados lhes nada pesa, nem ligeiramente
Inspirado por tal leveza, o apito soou e o comboio partiu forçado pelo impulso do apitador
Partiu porque não podia ficar parado apeando os demais que antes se perderam como gente
Levando em si dois olhares que suspiram pela distância, mas que vêem o que mais ninguém sente

Sem comentários:

Enviar um comentário

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.

Vivi quase sempre no sonho Cedo me omiti da realidade Quando realizei o que não vivi Até para sonhar já era tarde E da não vida que se ...