segunda-feira, 21 de novembro de 2011

"Será Possível Pai?"

Será possível ter a plena realização do aproximar do fim e sorrir, apenas sorrir, não verter uma lágrima por sentir que valeu a pena, valeu tanto a pena, ainda que o sofrimento seja atroz? Será possível, nos últimos meses, dias, horas desprender altruísmo, puro, pelos que amamos, e em nossa volta sofrem, consolando quando deveríamos ser consolados, quando o massacre de constantes punções e perfurações nos acompanha? Será possível desolar a partida que ansiosa se avizinha nas memórias de infância, tão singelas como a radiosa lembrança de adoptar um pintainho amarelo sempre que nova ninhada de galinha de sua mãe era oferecida ao mundo? Será possível fazer sorrir e rir desbragadamente os que de nós tratam e lidam diariamente com as idas em rotina profissional que, só aparentemente, lhes tolda a sensibilidade? Será possível dizer que quem não nos se dignou visitar, verdadeiramente visitar, não apenas passar, não interessa, nunca interessará, nem a nós nem aos nossos, porque sua ausência não nos permitiu um beijo terno de despedida de nossos netos? Será possível? Será possível? Como será possível? É possível! É tão possível! É sempre possível! Mas não a todos, somente a muito poucos, apenas àqueles que no fim do caminho se encontram serenos de espírito, pois fundaram e erigiram a sua vida em valores simples, que são os mais complexos de ter, pois os outros impregnam-se facilmente em quem os não rejeita e até os deseja, e ligeiramente os aceita, como meio egoísta para suas realizações mesquinhas, tão vis e desgraçadas, enquanto assobiam sobre o mal que vão causando em seus pares. É possível, de facto mesmo muito possível, mas só em seres ímpares, que casam a sua génese de solidariedade, amizade desinteressada, honradez, verticalidade de carácter, amor, carinho, compaixão e todos os outros bons valores, mesmo os ainda por ninguém arrolados, na dicotomia de seus pares e ímpares, porque só assim o sabem, porque assim o são simplesmente. É pois possível, realmente possível, mas são poucos os que o tornam possível. Eu conheci, conheço e sempre conhecerei um dos mais ímpares que tornou o quase impossível em verdadeiramente possível. Vim de suas origens. E a honra de o sentir, presente, tão presente, e dele ter sido emanado e criado, mesmo que por vezes chore, como hoje o faço, o que ele não chorou na partida, tornou possível, e continuará a tornar possível, que a felicidade que hoje sinto seja algo que em tempos julguei completamente impossível.

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