sábado, 3 de dezembro de 2011

"Compreensão"

Ser entendido num diálogo, senti-lo tão verdadeiramente, mesmo mediante singelas linhas de texto, nem sempre requer presença física ou, até, conhecimento do interlocutor. Há conversas que, apenas perante um rosto do qual se desconhece o timbre de voz e jeitos de corpo, serão sempre reais conversas, pois delas se desprendem ideias que fluem, sem que tenhamos de pensar, para palavras apostas em texto que perde linha do tempo, rendendo com naturalidade defesas erigidas pelo desconhecimento. Há outras conversas, cansadamente reiteradas, tidas com supostos conhecidos, que transportam em si um imenso vazio, mesmo se carregadas, ou às vezes eivadas, de todas as palavras e frases, e que estão destinadas a se perderem nas ondas entre emissor e receptor, simplesmente porque as bandas dos dialogantes nunca encontrarão sintonia por habitarem diferentes frequências de vida. Há pois conversas e não conversas, assim como há interlocutores e não interlocutores, sendo uma questão de antena, certa, a junção dos sins ou, errada, o encontro dos nãos. As conversas, além de recompensadoras, pelo entendimento que trazem, límpido e ausente de ruído branco de onda mal ajustada, são as que, infelizmente, ocorrem cada vez com menos frequência. Mas também existem, raramente, mas felizmente existem, e geram natural vontade de as ter com maior frequência.

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